Empreendedorismo: como preparar as futuras gerações?

Por Fábio Cassettari

É cada dia mais comum falar sobre empreendedorismo, inclusive eu em outros momentos já abordei o tema em diferentes vertentes e hoje vou aprofundar em mais uma: como as futuras gerações vão lidar com o tal espírito empreendedor? Atualmente, o processo de ter iniciativa para implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes tem ganhado cada vez mais força e notoriedade, mas será que continuará assim?

Pelo que tudo indica, sim. E as futuras gerações precisarão estar preparadas para as mudanças que já estão no mercado hoje. Segundo o relatório global da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2017/18 divulgado no primeiro semestre deste ano, “o empreendedorismo e a inovação continuam a ser as alavancas essenciais para a criação de empregos contribuindo para a estabilidade e o crescimento econômico”, acredita Mike Herrington, diretor executivo da GEM.

Ou seja, na prática isso significa que boa parte das profissões do futuro estão sendo criadas e que as que permanecerem daqui pra frente terão que se adaptar como já tem acontecido em diversas áreas. Uma informação extremamente relevante para refletirmos apresentada na pesquisa é que embora o empreendedorismo motivado por melhorias predomine em todas as economias, com exceção da Índia, as economias com níveis econômicos mais elevados geralmente reportam níveis mais altos de empreendedorismo movido por oportunidade e níveis mais altos de inovação (medidos pela extensão na qual empreendedores apresentam produtos novos desconhecidos por todos ou por alguns clientes e oferecidos por poucos ou por nenhum concorrente).

E por que é importante estar atento a essas constatações? A América do Norte é a região com a proporção mais alta de empreendedores (29,5%) com a expectativa de criar seis ou mais empregos nos próximos cinco anos. A região com o desempenho mais baixo é a África onde apenas 17% dos empreendedores planejavam criar seis ou mais empregos no prazo de cinco anos. O Brasil está no meio do caminho e em processo contínuo de evolução do ecossistema empreendedor, mas é fato que ajuda a engrossar as estatísticas de que nos próximos anos serão os novos negócios e o empreendedorismo que irão gerar novos empregos.

No passado, os critérios para estabelecer se um jovem estava preparado para entrar no mundo do trabalho dependiam de se ele sabia escrever corretamente um oficio, uma carta ou um memorando. Note que as novas gerações têm mais oportunidades e acesso a informações que, consequentemente, geram maiores possibilidades de ascensão e escolhas profissionais. Pela primeira vez na história, um adolescente ou um jovem, utilizando um computador ligado à internet, é capaz de criar seu próprio negócio e estabelecer uma rede de amigos, colaboradores, clientes e empreendedores. E tudo isso vem mudando a cultura de como trabalhar, gerenciar as empresas, sejam elas públicas ou privadas. Essa nova mentalidade é real e está mudando rapidamente o modo das pessoas trabalharem nas instituições educacionais, nas indústrias, nas fábricas, nos setores de distribuição de mercadorias, de marketing e por aí vai.

Acredito que de maneira geral todos os projetos que serão desenvolvidos daqui pra frente serão por meio do conhecimento e do poder inovador e empreendedor das novas gerações. Com experiências práticas na cidade e no campo, jovens têm a oportunidade de aprender a gerar mais produtividade, lidar com as adversidades do mercado e modificar as próprias rotinas. Eles só precisam estar cada vez mais preparados por isso, qualificação e dedicação nunca foram tão necessários.

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