Por Fábio Cassettari
Hoje vou falar sobre uma constatação que tem me encantado. Venho de uma geração onde prevalecia a hierarquia e as formalidades em relação ao mundo dos negócios. Para falar com o dono de uma empresa, por exemplo, até pouco tempo atrás era preciso entrar em contato com a secretaria e solicitar um horário em sua agenda. Mais do que isso, para muitos funcionários era “impossível” falar diretamente com o chefe ou diretores que eram “intocáveis”.
O que vemos hoje é uma realidade muito diferente e a crescente figura do CEO (Chief Executive Officer) no lugar do “poderoso chefão”. No dia a dia, as grandes corporações não são mais como as de 10 ou 20 anos atrás, em que se mandava e os funcionários obedeciam. As grandes empresas foram obrigadas a aprender e a lidar com a nova mentalidade impostas pelas startups que estão quebrando paradigmas, um atrás do outro.
As exigências e expectativas mudaram, hoje as empresas exigem CEOs com perfis mais abertos e com alta sensibilidade social, além de ter uma postura inovadora, com contribuição efetiva em processos de decisão, capacidade de negociar e gerenciar alianças e principalmente de gerir e inspirar sua equipe.
Não é difícil ver um empreendedor jovem à frente de uma empresa. Os ternos e as formalidades deram espaço para encontros de negócios realizados em cafés ou coworkings (espaços compartilhados). As reuniões pesadas e cansativas, se tornaram oportunidades para troca de experiências e perspectivas de mercado.
O “chefão” de hoje é aquele que tem seu perfil autoconfiante, com integridade nos atos e nas decisões, afinal ele precisa também inspirar. Ética pessoal e profissional, flexibilidade, coragem para assumir riscos e que tenha nas suas habilidades a fórmula correta para ter iniciativa, discernimento, comunicação, administrar e estar aberto a todas as mudanças tecnológicas que as empresas passam diariamente com novas mídias e forma de comunicação através delas. Talvez, por tudo isso, o desafio seja até maior do que o enfrentado antes onde só era preciso “mandar” e adotar uma postura firme.
Outra mudança radical que vejo é a questão do compartilhamento de ideias, fornecedores e até clientes. No formato antigo de se fazer negócio as empresas não revelavam informações estratégicas, soava como ameaçador divulgar informações. Atualmente, abrir números, falar dos concorrentes e até dos planos para o futuro não assusta mais a nova geração que vende seu negócio de uma forma muito diferente em pitchs (apresentações curtas para captar investimento). É o famoso compartilhar para crescer.
Uma geração onde as empresas se ajudam para crescer merece no mínimo ser respeitada. Minha sugestão: analisemos ainda mais o modelo de negócio das startups!